Não tem sido fácil actualizar o blog. A net daqui não ajuda muito. Mas aqui ficam algumas fotos dos meus passeios.
Primeiro foi uma ida a Malpe Beach há já algumas semanas. A praia está um bocado suja, com muitas garrafas e lixo, mas muita da sujidade também provém da terra e dos ramos e folhas de árvores que caem no rio. O tempo estava agradável, mas é sempre estranho levar o chapéu-de-chuva para a praia. "E porque é que levaste o chapéu-de-chuva para a praia, em vez de um chapéu-de-sol?" perguntam vocês. Pois, acontece que, assim de um momento para o outro, pode começar a chover... e começou. Ah, afinal o chapéu-de-chuva serviu para alguma coisa =)
Na semana passada fiz a minha primeira longa viagem. Destino: Bijapur, Badami e Gokarna. Saí de Udupi na 6ª feira à noite, num autocarro que levou 13h (mais 1h do que o previsto) a chegar a Bijapur. Como podem ver, os autocarros nocturnos também podem servir de albergue, porque têm bancos, para quem prefere ir sentado, mas também têm camas, por cima dos bancos. Em Bijapur, deu para visitar alguns túmulos de antigos "reis" de Bijapur. Um modesto, mas bem decorado, é o Ibrahim Rouza. O outro é a principal atracção de Bijapur: o Gol Gumbaz. Diz-se que é a segunda maior cúpula do mundo (a maior é a da Basílica de S. Pedro, em Roma), mas que é a maior cúpula não suportada do mundo. Sei que é grande, isso sim! E lá em cima é a "Galeria dos Murmúrios" (ou "Câmara dos Sussurros", como preferirem... pois, o nome em português não é muito interessante... mas faz lembrar uma aventura do Harry Potter... Harry Potter e a Galeria dos Murmúrios... ui... vou já dar a ideia à J. K. Rowling =P). Verdade seja dita, pelas 100 rupias que os estrangeiros têm de pagar para ver o monumento (os indianos só pagam 5 rupias), estava à espera de mais. Sim, sim, eu sei que quase que passava por indiano. Eu e o Raoni (do Brasil) quase que passamos por indianos. O Raoni até já passou por indiano e costumam falar-lhe em Hindi antes de falarem em Inglês =P Mas como o Valentin (da Alemanha) também estava connosco, dá logo a cana toda. Ele nem tem cabelo loiro, mas tem olhos azuis, e um bocado daquele ar de turista alemão no Algarve... pois, estão a ver, lá se vão as nossas hipóteses de passarmos por indianos =P Pessoalmente, o que gostei mais da cidade foram as muralhas e o mercado.
Segui para a paragem de autocarros para prosseguir viagem. Novo destino: Badami. O autocarro não ia directamente a Badami. Tive de ir a Bagalkot (3h de viagem) e depois mudar para um autocarro rumo a Badami (mais 1h de viagem). Portanto, deveria chegar a Badami em 4h. Acontece que o autocarro chegou 1h30min atrasado a Bijapur, e avariou a caminho de Bagalkot. Deu tempo de conversar com uns rapazes curiosos por saberem se era da América e para provar uma bebida que muitos indianos estavam a beber, Badam Milk (leite de amêndoa). Lá passou outro autocarro que deu boleia até Bagalkot e finalmente pude seguir para Badami. Imaginava Badami como uma cidade bastante pequena, com meia dúzia de casas na rua principal. É, de facto, uma cidade pequena, mas com imensas casas. Bem cedo, às 7h da manhã, fui ver os templos e o "lago"/tanque Agastyatirtha. O céu estava meio encoberto, mas foi um passeio agradável. Fui ainda ver a principal atracção de Badami: os templos-gruta talhados directamente na rocha. Mais uma vez, estrangeiros 100 rupias, indianos 5 rupias. São incríveis por serem talhados directamente na rocha. Mas, não sei porquê, estava à espera de cavernas fundas e escuras. O que mais gostei de Badami foi conhecer as pequenas ruas da cidade. São um "pouco" sujas (lixo no chão, esgoto a passar perto das portas das casas, porcos a passearem, macacos à procura de comida, crianças a usarem a rua como casa-de-banho, ... enfim, um pouco de tudo), mas têm um ambiente de "aldeiazinha" que é bastante agradável. E as pessoas são muito simpáticas e dizem "Olá!" e sorriem, e as crianças pedem para tirar fotografias. Deu ainda tempo de visitar o Forte do Norte, e apanhar um susto quando, a regressar pelos caminhos quase sempre desertos que dão acesso ao forte, uma "manada" de macacos (eu sei, manada é de vacas, mas não há nome comum para um grupo de macacos e, além disso, se disser "manada de vacas" estou a repetir a mesma ideia... manada já é um grupo de vacas... pimba, embrulha =P) se atravessou no caminho. Claro que o susto se deveu, principalmente, aos avisos de "Cuidado com os macacos!" que há na zona próxima dos monumentos mais remotos. Mas tudo correu bem. Sobrevivi =)
Em Badami, eu, o Raoni e o Valentin encontrámos uma rapariga alemã, a Annie, que estava a viajar sozinha e decidiu acompanhar-nos até ao próximo destino, Gokarna, uma vez que ela também ia para lá. Gokarna foi, provavelmente, o melhor local da toda a viagem. A praia de Gokarna não é muito interessante: é suja, despejam o lixo mesmo na praia e parece que há uma saída do esgoto para a praia. Além disso, há vacas a passear pela areia. Sim, vacas! Não são gaivotas, são mesmo vacas. Ainda bem que as vacas não voam, né? =P Mas a sul de Gokarna, a 2, 4, 6 e 8km de distância ficam, respectivamente, as praias de Kudle (lê-se Kúdlé), Om, Meia-Lua e Paraíso. Não cheguei a ir às últimas duas. Mas as de Kudle e Om são muito boas: mar calmo, limpo, areia limpa, pouca gente, pouca confusão... ideais para relaxar.
Ao fim do dia, foi uma aventura para apanhar o comboio rumo a Udupi, porque os condutores de rickshaw pediam 150 rupias por uma viagem até à estação de comboio de Gokarna (a 9km de Gokarna). Claro que os primeiros preços são sempre acima do normal. Um deles lá baixou para 120 rupias. O comboio chegou mesmo à hora (coisa rara), mas acabou por ficar parado na estação durante 1h (ahh, assim já voltou à normalidade). O comboio ia cheio, portanto não deu para arranjar lugar e foi uma viagem de 4h, em pé. Mas foi divertida! =) Deu para conhecer o Jakob, outro alemão (sim, outro alemão! eles andam em todo o lado!), que é voluntário numa aldeia e ensina crianças a falar inglês, hindi e kannada (língua oficial da região de Karnataka). Muito simpático, ajudou a tornar a viagem de 4h (em pé!) bastante mais divertida.
E esta foi uma pequena aventura, de 3 dias. Mais viagens e aventuras se avizinham. Em relação às actualizações... não posso prometer nada... a net é que manda! =P
Até à próxima! ;)
TAMS! SN! =)
A sair da praia de Malpe, estava a haver uma festa tradicional, com muita dança e muita música.
Aqui está o dito autocarro... Como se pode ver, sentados em baixo, deitados em cima =P
Chegada a Bijapur. As ruas de Bijapur são uma autêntica aventura, com imensas lojas e vendedores ambulantes, muitos condutores de rickshaw e muitos rickshaws e um trânsito de meter medo. Conduzir em Lisboa... isso é para meninos!
Aqui está o Taj Mahal... Parece, né? Nem por isso! Eu é que tenho a mania que tenho muita piada. Este é o Gol Gumbaz. Lá em cima, os indianos mais engraçadinhos divertiam-se a assobiar e gritar, o que causava imenso barulho e, vá, era chato!
Uns rapazes no telhado a brincarem com um papagaio. Quando viram que estava a tentar tirar uma fotografia, não hesitaram em mostrar o seu lado vencedor =)
Aquilo a azul é a minha perna. Aquela coisa preta, com um rectângulo amarelo e com uma roda (na verdade são três, mas as outras duas não aparecem) é um rickshaw a fazer uma razia ao rickshaw onde eu estava.
Badami ao nascer do Sol.
Outra vista do lago/tanque de Badami. As pessoas já estavam a lavar a roupa desde cedo, para a poderem secar (como se pode ver), porque no dia seguinte era Ramzan (ou Ramadan... Ramadão).
As famosas cavernas de Badami. Acima delas só há rocha. Na foto também se pode ver uma senhora indiana a varrer o chão, e o Raoni a tirar fotografias =P
Versão indiana de caixote do lixo... ou então é uma versão limitada que só existe em Badami. Ainda vou averiguar =P
Esta é a praia de Gokarna. As vacas realmente são sagradas na Índia... até as levam à praia para descansarem e apanharem Sol =P Mas esta praia de Gokarna é a tal que é muito suja (pudera, com vacas a passear ali no meio...).
Esta já é uma praia mais bonita e limpa... Kudle Beach.
E esta é a praia mais famosa de Gokarna (acho eu): Om Beach. Om, porque a praia tem a forma do símbolo Hindu de Om. Pesquisem na net e vão ver que é verdade, que parece mesmo, só que está invertido, porque eu sou preguiçoso e não me dei ao trabalho de ir à outra ponta da praia para tirar uma fotografia daquele lado.
E aqui estou eu com um senhor muito simpático que envergava a t-shirt da selecção nacional =) Já agora, um pequeno comentário: os indianos costumam ir à água assim vestidos... é mesmo normal. Não, não foi o senhor que escorregou na rocha e caiu à água. Ele estava mesmo a dar mergulhos assim vestido. Agora imaginem como é que as senhoras vão à água. =P
No comments:
Post a Comment